Os dados do Levantamento Sistemático da Produção AgrÃcola (LSPA), divulgados nesta quinta-feira (15) pelo IBGE, confirmam que Mato Grosso do Sul consolidou sua posição como o 5º maior produtor de grãos do Brasil na safra 2025. O estado respondeu por 8,1% da produção nacional, figurando em um ranking liderado por Mato Grosso (32%), seguido por Paraná (13,5%), Goiás (11,3%) e Rio Grande do Sul (9,3%). Esse desempenho regional contribuiu para um recorde histórico no paÃs: a colheita total de cereais, leguminosas e oleaginosas atingiu a marca inédita de 346,1 milhões de toneladas, um salto de 18,2% em relação ao ano anterior e o maior volume registrado desde o inÃcio da série histórica em 1975.
O protagonismo da safra 2025 foi sustentado pela soja, que alcançou 166,1 milhões de toneladas, e pelo milho, com 141,7 milhões. Outras culturas como o algodão, o sorgo e o café do tipo canephora também apresentaram volumes expressivos, com este último também quebrando recordes. Geograficamente, o Centro-Oeste reafirmou sua força ao concentrar mais da metade da produção brasileira (51,6%), enquanto o Sul garantiu o segundo lugar com 24,9% do total colhido. Esse crescimento foi impulsionado pela expansão da área plantada em diversas culturas, como o arroz e o sorgo, compensando as retrações verificadas no cultivo de feijão e trigo.
Ao analisar o longo prazo, observa-se que a produção nacional de grãos mais do que dobrou nos últimos 13 anos, saltando de 162 milhões de toneladas em 2012 para o patamar atual. O dado mais relevante é que esse crescimento não dependeu exclusivamente da abertura de novas terras: enquanto a produção aumentou em mais de 100%, a área plantada cresceu em um ritmo menor, de 66,8%. Segundo o IBGE, essa eficiência é fruto de pesquisas de instituições como a Embrapa e de pesados investimentos tecnológicos por parte dos produtores, que permitiram extrair o máximo potencial das plantas em diferentes biomas, aliados a condições climáticas favoráveis em 2025.
Para 2026, entretanto, as projeções indicam uma leve desaceleração. O prognóstico inicial aponta para uma safra de 339,8 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 1,8% (ou 6,3 milhões de toneladas a menos) na comparação com o recorde atual. Embora estados como o Rio Grande do Sul e o Piauà apresentem expectativas de alta, importantes polos produtores como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul devem enfrentar retrações. De acordo com especialistas do IBGE, essa retração deve-se ao elevado patamar de comparação deixado por 2025 e ao desestÃmulo causado por margens de lucro mais apertadas e preços baixos no mercado, o que pode frear novos investimentos em área e tecnologia no próximo ciclo.
- Redação






