Policial

Justiça manter a prisão preventiva do advogado Rhiad Abdulahad

As investigações apontam que Rhiad teria assumido um papel central de articulação e comando na organização criminosa, preenchendo a lacuna deixada por seu pai.
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A Justiça de Mato Grosso do Sul decidiu manter a prisão preventiva do advogado Rhiad Abdulahad, um dos 18 detidos durante a quarta fase da Operação Successione, deflagrada pelo Gaeco em novembro de 2025. O juiz José Henrique Kaster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, negou o pedido de liberdade por não encontrar fundamentos que justificassem a revisão da custódia. Enquanto isso, o Tribunal de Justiça (TJMS) se prepara para julgar, nesta quinta-feira (5), os pedidos de habeas corpus apresentados pela defesa de Rhiad e de outros investigados no esquema.

As investigações apontam que Rhiad teria assumido um papel central de articulação e comando na organização criminosa, preenchendo a lacuna deixada por seu pai, José Eduardo Abdulahad, conhecido como "Zeizo". O pai de Rhiad é considerado foragido desde o final de 2023, quando foi alvo da primeira fase da mesma operação. Segundo o Ministério Público, a quebra de sigilo telefônico revelou que a "passagem de bastão" foi orientada pelo próprio pai, conferindo ao advogado a responsabilidade de decidir sobre a expansão e implementação de novas frentes do jogo do bicho e outros jogos de azar no estado.

O cenário descrito pelo Gaeco revela uma tentativa de reorganização do poder na contravenção sul-mato-grossense após a queda da família Name, ocorrida na esteira da Operação Omertà em 2019. O grupo atual, supostamente liderado pelo deputado estadual Neno Razuk, tentava consolidar o controle das apostas ilegais em Campo Grande. O histórico da organização remonta a uma divisão de territórios estabelecida décadas atrás por Fahd Jamil, que teria delegado a região da capital aos Name e a região de Dourados e Ponta Porã a Roberto Razuk, mantendo influência nos bastidores até recentemente.

A Operação Successione, em sua etapa mais recente, cumpriu dezenas de mandados de prisão e busca em diversas cidades de Mato Grosso do Sul e em estados como Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul. Para os investigadores e para o Núcleo de Garantias de Campo Grande, a atuação de Rhiad Abdulahad ultrapassou os limites do exercício da advocacia, integrando-se diretamente às atividades ilícitas da organização. O esquema contava, inclusive, com o apoio de policiais militares que atuavam como gerentes operacionais do grupo criminoso.