Deflagrada nesta terça-feira (10) pelo Gaeco, a Operação Cartas Marcadas mobilizou as forças de segurança para desmantelar uma organização criminosa especializada em crimes contra a administração pública em Mato Grosso do Sul. A ofensiva resultou no cumprimento de 46 mandados de busca e apreensão, abrangendo as cidades de Campo Grande, Corguinho, Rio Negro, Rochedo e Terenos. O foco das autoridades é uma estrutura de corrupção instalada nas prefeituras de Corguinho e Rio Negro, onde fraudes contratuais ocorridas nos últimos três anos somam um prejuízo estimado em R$ 9 milhões.
Entre os principais alvos da ação estão figuras políticas de destaque, como a ex-prefeita de Corguinho, Marcela Ribeiro Lopes, e o ex-prefeito de Rio Negro, Buda do Lair, que tiveram endereços vinculados às suas gestões vasculhados. Em Terenos, embora o atual prefeito Arlindo Lindolfo tenha esclarecido que a sede administrativa não é alvo da operação, os agentes realizaram buscas na empresa Marsoft Informática e na residência do empreiteiro Rogério Luiz Ribeiro. Além das apreensões, o Tribunal de Justiça determinou o afastamento de cinco pessoas de cargos públicos, a suspensão de três contratos ativos e a proibição de que 22 envolvidos voltem a contratar com o Estado.
As investigações revelaram que o esquema era encabeçado por agentes políticos que manipulavam servidores para fraudar licitações. O Ministério Público detalhou que as irregularidades variavam desde a dispensa indevida de licitação para itens básicos de escritório até o direcionamento de grandes obras públicas, que muitas vezes começavam a ser executadas antes mesmo da formalização do contrato. O nome da operação, "Cartas Marcadas", ilustra justamente esse cenário onde os vencedores dos certames já eram escolhidos previamente, mantendo apenas uma fachada de legalidade nos processos.
A base para essa nova fase investigativa surgiu a partir do compartilhamento de dados das operações Turn Off e Malebolge. Através da perícia em celulares apreendidos nessas ações anteriores, o Gaeco conseguiu mapear o funcionamento da rede e identificar seus articuladores. Para garantir a segurança e eficácia do cumprimento das ordens judiciais, a operação contou com o apoio estratégico do Batalhão de Choque e do Bope da Polícia Militar.
- Redação





