Justiça

Justiça manda Camillo Zahran colocar tornozeleira eletrônica em MS

Os investigados agora respondem em liberdade provisória, embora submetidos a medidas cautelares rigorosas, como o uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar noturno.
- Imagem Divulgação (redes sociais)

Uma decisão da Vara Criminal de São José do Rio Preto (SP), proferida em 4 de fevereiro de 2026, revogou as prisões temporárias de Camillo Gandi Zahran Georges e João Augusto de Almeida de Mendonça. Os investigados agora respondem em liberdade provisória, embora submetidos a medidas cautelares rigorosas, como o uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar noturno. Camillo, que pertence a uma família tradicional de Mato Grosso do Sul e reside em Campo Grande, ainda não se apresentou para a instalação do equipamento de monitoramento, segundo informações apuradas recentemente.

Ambos são os principais alvos da Operação Castelo de Cartas, conduzida pela Deic de São Paulo com apoio da Polícia Civil sul-mato-grossense. A investigação apura um esquema de estelionato eletrônico e lavagem de dinheiro que teria gerado prejuízos superiores a R$ 10 milhões, modalidade que ficou conhecida como "Golpe do Falso Investimento". O grupo utilizava empresas de fachada, como a Next Comércio de Veículos e a Next Security, para atrair investidores. O prestígio do sobrenome Zahran era usado para dar credibilidade ao negócio, induzindo as vítimas a aportarem valores em aplicações inexistentes que, uma vez depositados, eram rapidamente pulverizados em contas ligadas aos suspeitos.

De acordo com as autoridades, João Augusto desempenhava o papel de articulador financeiro, gerenciando contas e aplicativos bancários, enquanto Camillo era o responsável por legitimar as fraudes, alegando falsamente que as empresas possuíam contratos com o Grupo Copagaz. Durante as investigações, João chegou a ser preso em flagrante com armas, e Camillo foi considerado foragido por um período. No entanto, o Judiciário entendeu que a manutenção das prisões não era mais necessária, uma vez que as diligências essenciais e apreensões de bens já haviam sido realizadas.

Apesar da liberdade, os acusados devem manter endereços atualizados, não podem manter contato com vítimas ou testemunhas, nem frequentar locais como bares. A operação já resultou na apreensão de R$ 1,5 milhão em promissórias, carros de luxo e joias. Vale ressaltar que o Grupo Zahran e familiares de Camillo, como seu irmão Gabriel, negaram publicamente qualquer vínculo profissional ou envolvimento com as atividades investigadas. O processo segue em andamento, com a medida da tornozeleira eletrônica sujeita a reavaliação a cada 90 dias.

- Redação