Daniel Aparecido Costa dos Santos, um morador de Sidrolândia de 32 anos, obteve recentemente uma autorização liminar da Anvisa para ser tratado com polilaminina, um medicamento experimental voltado à recuperação de lesões na medula. Daniel sofreu um trauma raquimedular agudo em dezembro de 2025, após um acidente de trabalho na montagem de silos de grãos. Motivado pelo caso de Luiz Otávio — o primeiro paciente de Mato Grosso do Sul a passar pelo procedimento —, Daniel buscou auxÃlio jurÃdico e, no último dia 22 de fevereiro, conseguiu a decisão favorável. Agora, o processo entra em fase de urgência para que a cirurgia ocorra em até 15 dias, restando apenas a análise final de seus exames de ressonância pelo laboratório Cristália e pela agência reguladora.
O cenário jurÃdico em torno desse tratamento vem crescendo na região. Dados do Tribunal Regional Federal da 3ª Região indicam que já existem 12 processos ativos mencionando a polilaminina, divididos entre Mato Grosso do Sul e São Paulo. Essas ações tramitam sob diversas classes cÃveis e envolvem diretamente a Anvisa e o laboratório fabricante. A repercussão do caso do jovem militar de 19 anos, que foi o pioneiro na aplicação do medicamento em Campo Grande após uma decisão judicial, é apontada como o principal motor para o aumento dessas demandas no Judiciário.
Tecnicamente, a polilaminina é o resultado de duas décadas de pesquisa liderada pela Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ, em parceria com o laboratório Cristália. A substância é uma proteÃna desenvolvida para estimular a regeneração de conexões nervosas em casos de lesões medulares. No entanto, o tratamento ainda está na Fase I de estudos clÃnicos, etapa que foca primordialmente na segurança da aplicação em seres humanos. Por se tratar de uma terapia experimental, os protocolos atuais são voltados especificamente para pacientes em fase aguda ou subaguda, preferencialmente nas primeiras 72 horas após o trauma.
É importante ressaltar que, apesar da grande expectativa gerada, a eficácia do medicamento tende a diminuir conforme o tempo de lesão avança. Para pacientes com lesões crônicas — aquelas com mais de 90 dias —, o laboratório Cristália alerta que ainda não há comprovação de segurança ou eficácia. Estudos em animais ainda estão sendo conduzidos para verificar a viabilidade do tratamento nesses casos a longo prazo. Por enquanto, a recomendação oficial é cautela, limitando o uso aos quadros recentes enquanto novas fases da pesquisa não são concluÃdas e divulgadas.
- Redação





