Mato Grosso do Sul se consolidou como um dos estados com maior risco proporcional de feminicídio no Brasil, ocupando a quarta posição no ranking nacional. Segundo o relatório “Retrato dos Feminicídios no Brasil (2021–2025)”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado registrou 39 mortes em 2025, o que representa uma taxa de 2,6 óbitos para cada 100 mil mulheres — um índice significativamente superior à média do país, que ficou em 1,43. No topo dessa lista negativa, o estado fica atrás apenas de Acre, Rondônia e Mato Grosso.
A análise de cinco anos revela um crescimento preocupante da violência letal de gênero na região, com uma alta de 14,3% entre 2021 e 2025. Apenas no último ano do estudo, o aumento foi de 10,5%. Embora o estado tenha registrado oscilações no número de casos anuais (com picos de 44 mortes em 2022 e quedas para 30 em 2023), a tendência recente é de elevação. Em comparação, outros estados como Amapá e São Paulo tiveram crescimentos ainda mais drásticos no mesmo período, evidenciando um agravamento do cenário em diversas partes do território brasileiro.
O estudo também joga luz sobre a eficácia limitada das Medidas Protetivas de Urgência. Em Mato Grosso do Sul, cerca de 5,9% das vítimas de feminicídio possuíam proteção judicial ativa no momento do crime. Um caso emblemático foi o de Aline Barreto da Silva, assassinada a facadas pelo ex-companheiro em Ribas do Rio Pardo no final de 2025, mesmo após já ter solicitado ajuda oficial anteriormente. O relatório aponta que cidades pequenas, como o local do crime, enfrentam desafios maiores devido à carência de infraestrutura especializada: apenas 5% dos municípios de pequeno porte no Brasil possuem Delegacias da Mulher, e as taxas de feminicídio nessas localidades costumam ser 30% superiores à média nacional.
No âmbito geral, o perfil das vítimas no Brasil mostra que a violência atinge majoritariamente mulheres negras (62,6%) e adultas entre 30 e 49 anos. A dinâmica dos crimes reforça que o perigo mora ao lado: quase 60% dos assassinatos são cometidos por parceiros atuais e 21,3% por ex-companheiros, sendo que a própria residência da mulher é o local de crime em mais de 66% dos registros. O uso de armas brancas, como facas, prevalece em quase metade dos casos, demonstrando a brutalidade e a proximidade do agressor. Mesmo com a Lei Maria da Penha prestes a completar 20 anos, casos de grande repercussão, como o da jornalista Vanessa Ricarte em MS, reiteram a urgência de políticas públicas mais eficientes para interromper o ciclo de violência doméstica.
- Redação





