Em um movimento que redefine o tabuleiro polÃtico de Mato Grosso do Sul, o deputado estadual João Henrique Catan oficializou, nesta quinta-feira (5), sua desfiliação do Partido Liberal (PL). A decisão marca um rompimento direto com a estratégia bolsonarista de apoiar a reeleição do atual governador Eduardo Riedel (PP). Catan, que se consolidou como a principal voz de oposição a Riedel na Assembleia Legislativa, reafirmou seu desejo de disputar o Governo do Estado, indicando que seu novo destino será o partido Novo.
A mudança de rumo também altera os planos de uma dobradinha com o deputado federal Marcos Pollon. Originalmente, a ideia era que ambos migrassem para o Novo, com Pollon disputando o Senado. Contudo, após receber uma sinalização pública de apoio de Jair Bolsonaro, Pollon optou por permanecer no PL, mesmo sob o risco de enfrentar resistências internas nas convenções partidárias de agosto. João Henrique justificou sua saÃda alegando a necessidade de oferecer um "novo caminho" para o estado, em sintonia com um eleitorado de direita que, segundo ele, não se sente representado pelas atuais alianças da legenda.
O clima de tensão ficou evidente nos ataques de Catan à cúpula do partido. Ele criticou abertamente a aproximação de lideranças como Reinaldo Azambuja e o próprio governador Riedel com o senador Flávio Bolsonaro, mencionando uma suposta "falta de ânimo e conexão" nos vÃdeos e fotos dos encontros em BrasÃlia. Enquanto isso, o presidente regional do Novo, Guto Scarpanti, aguarda ansiosamente a filiação de Catan — neto do ex-governador Marcelo Miranda — para consolidar a candidatura ao Executivo estadual.
O cenário é de incerteza para Reinaldo Azambuja, que viu seus acordos com o comando nacional do PL serem abalados por reviravoltas recentes. Além de ser forçado a aceitar a candidatura de Capitão Contar (agora no PL), Azambuja foi surpreendido pelo apoio de Bolsonaro a Pollon para o Senado, um nome que não estava nos seus planos originais de articulação. Com a saÃda de João Henrique do PL para encabeçar uma chapa própria, a corrida pelo Governo agora se afunila entre quatro nomes principais: Eduardo Riedel, João Henrique Catan, Fábio Trad (PT) e Lucien Rezende (PSOL).
- Redação





