Policial

Juiz decide manter Bernal preso por gravidade do caso

Em resposta imediata, a defesa anunciou que ingressará com um pedido de habeas corpus junto ao TJ, buscando a liberdade provisória ou a substituição da prisão por outras restrições legais.
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Após passar por uma audiência de custódia na manhã desta quarta-feira (25) no Fórum de Campo Grande, o radialista e ex-prefeito Alcides Bernal, de 60 anos, teve sua prisão em flagrante convertida em preventiva. A sessão, que se estendeu por cerca de duas horas, resultou no encaminhamento do ex-gestor ao Presídio Militar, onde ele ocupará uma cela especial devido à sua prerrogativa profissional como advogado. Por lei, a manutenção dessa prisão deverá ser revisada pelo Judiciário em um prazo de até 90 dias, período no qual ele poderá permanecer detido, ter a liberdade concedida ou passar a cumprir medidas cautelares enquanto as investigações avançam.

Bernal chegou ao local sob escolta policial por volta das 8h20, com acesso restrito e protegido do contato direto com a imprensa. Durante o ato processual, o magistrado reconheceu que o ex-prefeito se apresentou voluntariamente à delegacia para prestar esclarecimentos; contudo, diante da gravidade do episódio, optou por mantê-lo custodiado. Em resposta imediata, a defesa anunciou que ingressará com um pedido de habeas corpus junto ao Tribunal de Justiça, buscando a liberdade provisória ou a substituição da prisão por outras restrições legais para que ele responda ao processo fora do cárcere.

A estratégia defensiva, liderada pelos advogados Wilton Acosta e Oswaldo Mezza, sustenta a tese de legítima defesa. Segundo os defensores, Bernal está profundamente abalado e reitera que sua ação foi uma reação a uma tentativa de invasão de seu imóvel, mencionando inclusive a existência de incidentes similares registrados anteriormente no mesmo local. A defesa também pontuou que o inquérito ainda carece de provas fundamentais, como as imagens das câmeras de monitoramento que devem ser fornecidas pela empresa de segurança, e que, no momento, o caso se resume a versões conflitantes entre o acusado e uma testemunha.

Além disso, os advogados contestam a tipificação de homicídio qualificado adotada pela Polícia Civil, argumentando que não há elementos que sustentem tal classificação e que cabe ao Ministério Público uma análise mais técnica ao oferecer a denúncia. O objetivo da defesa é evitar que o caso chegue ao Tribunal do Júri, buscando o reconhecimento da legítima defesa ainda nas etapas preliminares. O episódio que levou à prisão ocorreu na última terça-feira (24), no Jardim dos Estados, quando disparos efetuados por Bernal atingiram fatalmente o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, em meio a um conflito relacionado à posse de uma residência na Rua Antônio Maria Coelho.

- Redação