A 1ª Vara Criminal de Campo Grande oficializou, no Diário da Justiça de segunda-feira (30), a condenação do ginecologista Salvador Walter Lopes de Arruda pelo crime de importunação sexual. O médico, que já possui um histórico de registros policiais por assédio e importunação, foi alvo de denúncias formais a partir de 2020, quando pelo menos três pacientes procuraram a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para relatar condutas abusivas durante os atendimentos. Embora tenha chegado a ser preso preventivamente, ele foi solto em maio de 2023, após a Justiça entender que a detenção ocorreu apenas pela dificuldade em localizá-lo para intimação.
Os relatos que embasaram a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) descrevem comportamentos profundamente inadequados e invasivos no ambiente de consultório. Em um dos casos, o médico teria agarrado e tentado beijar uma paciente, além de proferir comentários de cunho sexual explÃcito e questionar suas preferências na intimidade sob o pretexto de deixá-la "relaxada". Outra vÃtima relatou ter sido hostilizada com ofensas sobre seu peso e aparência fÃsica ao manifestar preocupação com um possÃvel atraso menstrual, ouvindo comentários depreciativos sobre as consequências de uma gestação em seu corpo.
Apesar de haver mais de dez relatos semelhantes registrados na polÃcia contra o profissional, a sanção aplicada pelos conselhos de medicina de Mato Grosso do Sul e de São Paulo restringiu-se a uma censura pública. No âmbito penal, no entanto, a sentença confirma a violação do artigo 215-A do Código Penal Brasileiro. O médico, identificado pelo CRM/MS 1.217, agora responde formalmente pela condenação imposta pela justiça estadual, que expõe o padrão de abuso cometido contra diversas mulheres que buscavam assistência médica.
- Redação





