O histórico criminal de Gilberto Jarson, preso pelo assassinato da subtenente da PolÃcia Militar Marlene de Brito Rodrigues, revela uma trajetória de violência que atravessa décadas. Seu primeiro registro grave data de 1994, quando, aos 18 anos, foi indiciado pelo homicÃdio de Alcides Romeiro Paulo, crime supostamente motivado por ciúmes de uma ex-namorada. Aquele episódio de juventude marcou o inÃcio de um comportamento agressivo que se consolidaria nos anos seguintes, alternando entre crimes contra o patrimônio e episódios de violência interpessoal.
A partir de 2008, Gilberto passou a atuar recorrentemente em assaltos, frequentemente operando em grupo. Os registros da época mostram uma série de roubos com múltiplos comparsas, incluindo invasões a residências com manutenção de reféns e crimes articulados de forma organizada. Essa fase de sua vida delituosa culminou em processos por formação de quadrilha em 2009, indicando uma inserção estruturada na criminalidade da capital. Após um hiato nos registros públicos, seu perfil violento ressurgiu em 2016, desta vez no âmbito doméstico, com pelo menos quatro ocorrências de ameaça e agressão contra mulheres. Relatos de ex-companheiras, que preferem o anonimato por medo de represálias, descrevem-no como um homem possessivo e descontrolado.
O desfecho mais recente dessa escalada ocorreu nesta segunda-feira (6), no Conjunto Habitacional Estrela d’Alva I, em Campo Grande, onde a subtenente Marlene, de 59 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça. A policial, que estava fardada e havia ido em casa durante o horário de almoço, foi achada no imóvel onde vivia com Gilberto. No local do crime, o suspeito apresentou versões inconsistentes aos policiais, tentando inicialmente alegar que a militar teria atentado contra a própria vida e que ele teria apenas tentado intervir.
Entretanto, as contradições nas falas de Gilberto e os depoimentos de testemunhas — que afirmam tê-lo visto segurando a arma do crime — levaram à sua prisão em flagrante. Ele foi retirado da residência algemado sob protestos da vizinhança, que o hostilizou durante a condução. Embora não houvesse denúncias prévias de agressão envolvendo especificamente o casal, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) trata o caso como feminicÃdio, baseando-se nas evidências colhidas e no perfil histórico do suspeito.
- Redação





