Policial

Operação revelou que remédio contra câncer era superfaturado em quase 3.000% na Capital

Os advogados Altair Penha Malhada e Victor Guilherme Leza foram presos durante a operação, que também realizou buscas em imóveis ligados a eles.
- Imagem Divulgação

A Operação "Oncojuris", deflagrada nesta quinta-feira (23) em Mato Grosso do Sul e São Paulo, revelou um esquema alarmante de fraude na saúde pública, onde medicamentos chegavam a ser superfaturados em até 3.000%. A investigação teve início após a Defensoria Pública de MS, sob a coordenação de Eni Maria Sezerino Diniz, detectar irregularidades em processos judiciais para obtenção de fármacos de alto custo. Em um dos casos citados pela coordenadora, o Estado chegava a desembolsar R$ 56 mil por um remédio que custava originalmente R$ 1.500. Além do prejuízo financeiro, constatou-se que muitos medicamentos vinham de países como Índia, Paquistão e Turquia sem registro sanitário no Brasil, o que impede o rastreio e levanta o grave risco de pacientes terem morrido ao ingerir substâncias de origem duvidosa.

O rombo aos cofres públicos é estimado em R$ 78 milhões apenas nos últimos 12 meses, embora o valor total da fraude ainda não tenha sido totalmente calculado. Diante das suspeitas, a Defensoria acionou órgãos como o Ministério Público, Vigilância Sanitária, Receita Federal e a Polícia Civil. A delegada Ana Cláudia Medina, titular da Dracco, explicou que as investigações, iniciadas em setembro de 2025, desmascararam uma organização criminosa estruturada em quatro núcleos distintos: o administrativo, composto por ex-servidores da Secretaria de Saúde que facilitavam a legalidade das compras; o jurídico, responsável por ingressar com as ações e manipular processos; o empresarial, formado por empresas locais sem licença adequada que disputavam o dinheiro público; e o de assessoria de importação, que operava fora dos padrões normais.

No âmbito do núcleo jurídico, os advogados Altair Penha Malhada e Victor Guilherme Leza foram presos durante a operação, que também realizou buscas em imóveis ligados a eles. Segundo a Dracco, esse grupo inseria "terceiros interessados" nos processos para direcionar a aquisição dos remédios e favorecer fornecedores específicos. A operação busca agora consolidar as provas sobre a divisão de tarefas da quadrilha e aprofundar a análise sobre as importações suspeitas, enquanto as autoridades alertam para as consequências fatais que o uso desses medicamentos clandestinos pode ter causado à população atendida judicialmente.

- Redação