O caso de feminicÃdio que chocou a zona rural de Mundo Novo, a 463 quilômetros de Campo Grande, revela detalhes perturbadores sobre o convÃvio entre Zelita Rodrigues de Souza, de 74 anos, e seu companheiro, Vicente Asuncion Vidal Gonzalez, de 41 anos. O suspeito teria convivido com o cadáver da vÃtima por quatro dias no interior da residência localizada no Porto Isabel antes de o crime ser descoberto na tarde de quinta-feira (30). De acordo com relatos da irmã da vÃtima, Léia Miranda da Silva, o assassinato teria ocorrido entre segunda e terça-feira, perÃodo em que Vicente manteve uma rotina de entrar e sair da casa, mantendo a porta trancada enquanto o corpo de Zelita entrava em avançado estado de decomposição.
A tragédia, segundo os familiares, era um desfecho anunciado devido ao histórico de extrema violência que marcava o relacionamento de 10 anos. Léia descreveu um cenário de tortura sistemática, onde Zelita era humilhada e agredida fisicamente com pontas de faca e queimaduras de cigarro. Apesar das tentativas de intervenção da famÃlia, que ofereceu abrigo e insistiu para que ela abandonasse o agressor, a idosa acabava sempre retornando para o convÃvio com Vicente. As ameaças de morte eram diretas e frequentes, chegando ao ponto de o suspeito pedir que a vÃtima escolhesse a forma como desejava morrer.
A descoberta do crime ocorreu após vizinhos estranharem o desaparecimento de Zelita e decidirem entrar na casa. Eles encontraram o corpo sobre a cama, seminua e com sinais nÃtidos de espancamento, incluindo lesões na nuca e o couro cabeludo parcialmente arrancado. Quando as autoridades chegaram ao local, acionadas pelo Corpo de Bombeiros de GuaÃra, Vicente não ofereceu resistência e apresentava sinais de embriaguez. Em seu depoimento, ele apresentou uma versão contraditória, alegando ter acordado e encontrado a esposa já sem vida, versão que foi prontamente descartada pela perÃcia inicial devido à gravidade dos ferimentos.
O sepultamento de Zelita foi realizado sob forte comoção em GuaÃra (PR), em uma cerimônia rápida e difÃcil devido ao estado do corpo. Agora, a famÃlia lida com a dor e com o ceticismo em relação à justiça, temendo que o agressor não permaneça detido por muito tempo. O episódio foi registrado como o 12º feminicÃdio do ano em Mato Grosso do Sul, reforçando as estatÃsticas de violência doméstica no estado e evidenciando a vulnerabilidade da vÃtima, que não possuÃa ocupação profissional e vivia reclusa sob o domÃnio do companheiro.
- Redação





