Política

Com a condenação do casal Trutis, João César ganhará vaga de Neno Razuk na Assembleia

A reviravolta ocorre após o presidente do TRE-MS, Carlos Eduardo Contar, determinar a recontagem dos votos das eleições para deputados estaduais e federais no estado.
- Imagem Divulgação

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul terá mudanças em sua composição com o retorno do ex-deputado estadual João César Matto Grosso. A reviravolta ocorre após o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS), Carlos Eduardo Contar, determinar a recontagem dos votos das eleições para deputados estaduais e federais no estado. Embora o resultado para a bancada federal permaneça inalterado, o recálculo aponta que o Partido Liberal (PL) perderá uma vaga da sobra no legislativo estadual, que será herdada pelo PSDB.

Essa dança das cadeiras é consequência direta da cassação e anulação dos votos de Raquelle Trutis e de seu ex-marido, o ex-deputado federal Loester Carlos Gomes, conhecido como Tio Trutis. Originalmente, o PL havia contabilizado 132.945 votos para deputado estadual, mas, com a exclusão dos 10.782 votos obtidos por Raquelle, o total do partido caiu para 122.163. Essa redução fez com que a vaga migrasse para o PSDB, que alcançou 293.036 votos e garantiu sua sétima cadeira na Casa, beneficiando diretamente João César Matto Grosso — que atualmente ocupa o cargo de diretor-adjunto do Detran-MS —, enquanto Neno Razuk, que obteve 17.023 votos, segue como pré-candidato a deputado federal pelo PL. Como o processo já transitou em julgado e não cabe mais nenhum tipo de recurso, a recontagem oficial será formalmente encaminhada à Assembleia Legislativa para a troca de parlamentares.

O caso que motivou a perda do mandato envolve uma condenação definitiva imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em março, que manteve a decisão do tribunal regional. Os ministros Cármen Lúcia, Nunes Marques, André Mendonça, Ricardo Villas Bôas Cueva, Estela Aranha e Floriano de Azevedo Marques puniram o ex-casal por um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 776 mil em recursos públicos do fundo eleitoral durante a campanha de 2022. Com a devida correção monetária, o montante que eles terão de devolver aos cofres públicos já ultrapassa a marca de R$ 1 milhão, além de o ex-casal enfrentar o risco de ficar inelegível pelo período de oito anos.

As investigações da Justiça Eleitoral apontaram que Tio Trutis, que recebeu 21.784 votos para deputado federal, e Raquelle utilizaram duas empresas de fachada para dissimular as movimentações ilícitas e mascarar o desvio do dinheiro público. Os desembargadores e ministros identificaram um esquema de repasses cruzados entre os dois candidatos para simular a contratação de serviços que nunca existiram. Ao longo do processo, pesaram contra os réus diversas contradições em depoimentos, a total falta de comprovação das atividades declaradas e até mesmo endereços comerciais inexistentes. Como a defesa não apresentou novos fatos capazes de contestar as provas robustas já validadas, a cúpula do TSE confirmou a condenação em última instância.

- Redação