Economia I

Dólar tem leve queda e fecha 5,01 nesta segunda-feira

O dólar iniciou a semana registrando uma leve desvalorização em relação ao real, acompanhando a tendência global da moeda americana.
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O dólar iniciou a semana registrando uma leve desvalorização em relação ao real, acompanhando a tendência global da moeda americana. Apesar da queda, a divisa permaneceu acima do patamar de R$ 5,00 pelo quinto dia consecutivo de negociações. O dia foi marcado pela valorização de moedas de países emergentes, impulsionada por uma maior disposição ao risco no cenário internacional devido aos avanços nos diálogos entre Estados Unidos e Irã. Por outro lado, a liquidez do mercado foi reduzida pelo feriado do Memorial Day nos EUA, que manteve fechadas as bolsas de Nova York e o mercado de títulos públicos (Treasuries).

Durante a manhã, a moeda americana chegou a cair abaixo de R$ 5,00, atingindo a cotação mínima de R$ 4,9943. Contudo, ao longo da tarde, esse recuo perdeu força devido a ajustes de posições dos investidores e à expressiva queda nos preços do petróleo. Com a máxima do dia batendo R$ 5,0210, o dólar à vista encerrou a sessão cotado a R$ 5,0190, uma variação negativa de 0,18%. Com esse resultado, a moeda acumula uma valorização de 1,34% em maio, contrastando com o recuo de 4,36% observado em abril. No acumulado do ano, as perdas frente ao real se situam em 8,56%, diminuindo em relação ao período em que o câmbio operava abaixo de R$ 4,90 e a queda superava os 10%.

Segundo Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, o alívio nas tensões geopolíticas entre Washington e Teerã estimulou o apetite ao risco e favoreceu o real, abrindo espaço para que o dólar retorne ao patamar abaixo de R$ 5,00 no curto prazo. Ela recorda que o mercado de emergentes vinha sendo pressionado nas semanas anteriores pela alta dos juros dos Treasuries, impulsionada pelo temor inflacionário decorrente das cotações elevadas do petróleo. Esse cenário mudou drasticamente com a expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do conflito no Oriente Médio, fatores que fizeram o barril do petróleo Brent para agosto desabar 6,78%, fechando a US$ 93,42. O otimismo foi reforçado por declarações do presidente Donald Trump de que as conversas estavam progredindo e que um acordo para garantir a livre circulação em Ormuz já existia, embora tenha reiterado que o Irã jamais desenvolverá armas nucleares.

Para o fechamento do ano, as projeções dos analistas divergem. Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, projeta o dólar em R$ 5,03 em seus modelos de longo prazo. Em um cenário mais otimista — que pressupõe o fim da guerra e uma vitória da oposição nas eleições brasileiras —, a moeda poderia cair para R$ 4,84. Já uma conjuntura adversa, envolvendo a reeleição de Lula, deterioração fiscal e prolongamento dos conflitos armados, elevaria o câmbio para R$ 5,24. Tavares alerta em relatório sobre a recente deterioração nas previsões, influenciada por riscos políticos e fiscais internos, além de um dólar globalmente mais forte, o que ameaça reverter o fluxo de capital estrangeiro que vinha sustentando o real.

O economista da BGC Liquidez também observa uma mudança no comportamento recente do mercado: até o mês anterior, a valorização do petróleo costumava fortalecer o real; no entanto, essa dinâmica se rompeu, e os aumentos recentes da commodity passaram a enfraquecer a moeda nacional. Por essa razão, Tavares sugere cautela no monitoramento do petróleo, dado que novas altas podem desestabilizar o cenário positivo construído até então.

Alinhados a essa visão de maior volatilidade, os economistas Álvaro Frasson e Arthur Mota, do BTG Pactual, estimam o dólar a R$ 5,10 no encerramento do ano, prevendo uma perda de valor do real até outubro em função das incertezas da disputa presidencial. Eles ressaltam que o desempenho favorável da moeda brasileira ao longo do ano foi impulsionado por um fluxo financeiro atípico direcionado a mercados emergentes exportadores de commodities, motivado pelas tensões geopolíticas globais e por questionamentos sobre o valor das empresas de tecnologia nos EUA. Embora os modelos de câmbio efetivo indiquem que o real ainda possui margem para se valorizar, os analistas do BTG concluem que o ritmo daqui para frente dependerá essencialmente do cenário político e fiscal doméstico.

- Redação