Policial

Clínica de emagrecimento alvo de operação segue sob investigação após polícia encontrar remédios vencidos

As investigações sobre a Clínica Canela, famosa por seus tratamentos de emagrecimento, seguem em andamento após uma operação que resultou no confisco de mais de mil medicamentos vencidos e impróprios para o consumo.
- Imagem Divulgação (redes sociais)

As investigações sobre a Clínica Canela, famosa em Campo Grande por seus tratamentos de emagrecimento, seguem em andamento após uma operação que resultou no confisco de mais de mil medicamentos vencidos e impróprios para o consumo humano. O órgão de defesa do consumidor, Procon-MS, concedeu uma janela de 20 dias para que o estabelecimento regularize todas as suas pendências e protocole sua defesa administrativa. A fiscalização, realizada no dia 14 de maio, foi motivada por uma denúncia do laboratório Eli Lilly, que apontou uma suposta publicidade enganosa sobre protocolos de perda de peso que envolveriam o uso de tirzepatida manipulada.

A ação resultou na prisão em flagrante da enfermeira e responsável técnica da clínica pela Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo). No estabelecimento, os agentes públicos recolheram exatamente 1.294 produtos fora da validade, incluindo materiais médico-hospitalares, itens intramusculares, endovenosos, psicotrópicos, implantes hormonais e soro fisiológico. Somado a isso, o Procon-MS descobriu que o alvará de localização e funcionamento da empresa expirou em 15 de fevereiro. O dono da clínica deve ser intimado para prestar depoimento nos próximos dias e apresentar os documentos exigidos pela Decon, enquanto a defesa dos investigados alega que protocolará sua contestação até o vencimento do prazo, em 3 de junho, sustentando que a situação do local está regularizada.

O momento da fiscalização também foi marcado por momentos de tensão e resistência por parte da equipe do estabelecimento. Os fiscais identificaram uma sala trancada nos fundos da propriedade e a enfermeira chefe afirmou que ali ficavam apenas objetos pessoais do médico proprietário, alegando que não tinha a chave. Diante da negativa e da promessa da Vigilância Sanitária de chamar um chaveiro para forçar a entrada, um funcionário acabou buscando a chave na casa do dono da clínica. Foi justamente dentro desse cômodo oculto que os policiais e fiscais encontraram a grande quantidade de injetáveis e remédios vencidos estocados.

Para além das irregularidades estruturais e sanitárias, as autoridades identificaram problemas nas receitas e indícios de práticas comerciais ilegais. Apesar da insistência dos agentes, os responsáveis pela clínica não mostraram prescrições médicas vinculadas à tirzepatida, tampouco exibiram as notas fiscais das vendas desses remédios. A equipe de fiscalização levantou a suspeita de venda casada, visto que o local supostamente prescrevia as fórmulas e já direcionava os pacientes para uma farmácia de manipulação parceira. O Procon-MS também foi informado de que a clínica não possui inscrição estadual. Em posicionamento oficial, a Clínica Canela rechaçou todas as acusações, negando qualquer envolvimento com fabricação, manipulação, rotulagem ou venda ilegal de remédios, além de refutar a prática de venda casada.

- Redação