A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), decretou intervenção no Consórcio Guaicurus para assumir o controle do transporte público municipal, o que levou a Justiça a determinar o bloqueio imediato de R$ 46 milhões das empresas de ônibus. O juiz Eduardo Lacerda Trevisan estabeleceu que essa quantia deve ser transferida para a equipe de intervenção e utilizada exclusivamente para garantir o funcionamento adequado das linhas de transporte. Além disso, o magistrado alertou os diretores afastados de que qualquer movimentação de recursos após a decisão configurará desobediência judicial e crime, sujeitando o grupo a multas coletivas.
A medida cautelar atendeu a uma solicitação da procuradoria-geral do municÃpio, protocolada logo após a publicação do decreto. A administração municipal argumentou que as empresas que integram o consórcio — Viação Cidade Morena, Viação São Francisco, Jaguar Transportes Urbanos e Viação Campo Grande — poderiam ocultar verbas ou bloquear o acesso dos novos gestores à s contas bancárias. Em pronunciamento à imprensa, a prefeita reforçou que o Executivo cobrou melhorias operacionais sem obter retorno e sinalizou que o encerramento definitivo do contrato com a concessionária é uma possibilidade concreta ao final do perÃodo de seis meses. Com o inÃcio dos trabalhos, a prefeitura terá total clareza sobre a real situação financeira das empresas, um ponto constantemente usado pelo consórcio para justificar pedidos de reajustes e repasses.
O comitê responsável por comandar o transporte será liderado por Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, acompanhado por Rodolfo Bahiense Fernandes no setor administrativo-financeiro, Alexandre Souza Moreira na área jurÃdica e Robson Tadeu Pereira na coordenação operacional. Durante os 180 dias do processo, os antigos executivos não terão poder de decisão e os interventores receberão vencimentos equivalentes aos salários da diretoria afastada. A nova equipe terá autonomia para controlar todas as esferas do consórcio, emitir ordens de serviço, examinar a contabilidade, fiscalizar oficinas, garagens e terminais, realizar auditorias e revisar os planos de manutenção dos veÃculos. O decreto também impõe a todos os funcionários e colaboradores das empresas a obrigação de cooperar plenamente, cedendo senhas e documentos auditáveis.
Em termos de prazos, a equipe nomeada apresentará um diagnóstico preliminar em 90 dias e, ao fechar o ciclo de 180 dias, entregará um relatório final contendo as conclusões e os direcionamentos necessários. A decisão definitiva sobre os rumos do sistema ficará nas mãos da prefeita Adriane Lopes, que poderá optar pela extinção da concessão e caducidade do contrato atual ou, alternativamente, restabelecer a gestão do Consórcio Guaicurus mediante a imposição de novas exigências contratuais e punições financeiras. O consórcio foi procurado pela equipe de reportagem para apresentar sua versão sobre os fatos, mas ainda não emitiu uma resposta.
- Redação





