Nesta quinta-feira (18), pouco mais de uma tonelada de substâncias e medicamentos irregulares interceptados pela Vigilância Sanitária Estadual sairá de Campo Grande em direção à região de fronteira de Mato Grosso do Sul para ser incinerada. O comboio com os produtos será escoltado ao longo da rodovia pela PolÃcia Rodoviária Federal (PRF). Esse descarte encerra uma etapa importante da Operação Visa-Protege, conduzida pela Coordenadoria Estadual de Vigilância Sanitária, que acabou por evidenciar o papel do estado como um dos corredores mais utilizados para a entrada e a posterior distribuição de remédios clandestinos por todo o território nacional.
A carga a ser destruÃda é composta por esteroides anabolizantes de origem estrangeira sem aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), peptÃdeos estéticos e compostos semelhantes ao "Mounjaro", medicamento amplamente procurado para a perda rápida de peso. Nos primeiros meses da ação, a fiscalização barrou cerca de R$ 10 milhões em mercadorias ilegais ainda no Centro de Triagem dos Correios na capital sul-mato-grossense. Para tentar burlar as vistorias e chegar a compradores de outras regiões do paÃs — especialmente no Nordeste —, os contrabandistas camuflavam as encomendas em locais inusitados, como brinquedos, eletrodomésticos, garrafas térmicas, potes de cosméticos e livros. Entre os principais itens confiscados, ganharam destaque as canetas emagrecedoras produzidas à base de tirzepatida.
O alerta das autoridades ganha contornos ainda mais graves porque muitos desses produtos entram no Brasil por meio da fronteira seca com o Paraguai, mesmo após terem sido banidos por lá. Em maio, a Direção Nacional de Vigilância Sanitária paraguaia (Dinavisa) já havia classificado diversos hormônios, anabolizantes e peptÃdeos como ameaças severas à saúde pública, proibindo sua circulação. Ainda assim, as mercadorias continuavam sendo enviadas ilegalmente ao mercado brasileiro sem qualquer garantia de segurança ou controle de qualidade em sua fabricação.
Paralelamente, o comércio clandestino de anabolizantes encontrou facilidade logÃstica devido à proximidade geográfica com o paÃs vizinho. A comercialização dessas substâncias voltadas ao ganho de massa muscular costuma ocorrer sem barreiras por meio de aplicativos de mensagens, ignorando os riscos apontados por especialistas, que associam o uso descontrolado a severas lesões hepáticas, hormonais e cardiovasculares. Em comunicado oficial, a Secretaria de Estado de Saúde reiterou que todos os itens destinados à incineração operavam na ilegalidade, sem registro na Anvisa e sem nenhuma garantia de procedência, armazenamento ou composição adequada, consolidando um perigo real à vida dos consumidores.
- Redação





