Em depoimento à PolÃcia Civil, a médica veterinária Lidiane CecÃlia Pereira, de 42 anos, presa em flagrante por tentativa de homicÃdio qualificado pelo emprego de fogo, justificou ter provocado as queimaduras graves no marido como uma tentativa extrema de fazê-lo confessar uma suposta traição. Casados há cerca de 26 anos e pais de dois filhos, os conflitos do casal haviam se intensificado nos últimos dois anos, motivados pela distância e pelo ciúme, desde que o homem, de 41 anos e ex-diretor do IFMS, assumiu um cargo público em BrasÃlia. A discussão que culminou no episódio começou na madrugada de segunda-feira (22) e se estendeu até a manhã seguinte, quando a vÃtima organizava seus pertences para retornar à Capital Federal.
De acordo com o relato de Lidiane, na intenção de queimar a mochila do companheiro para impedi-lo de viajar, ela buscou um recipiente de álcool na cozinha e jogou o lÃquido no quarto, momento em que acredita ter atingido acidentalmente a camiseta dele. Na sequência, o marido se deslocou até a garagem da residência, sendo perseguido pela investigada, que portava um maço de cigarros e um isqueiro com o objetivo de assustá-lo. Ao acionar o acendedor, as chamas se propagaram rapidamente pela roupa do homem. A mulher afirmou ter se arrependido e tentado rasgar a vestimenta para conter o fogo, versão que diverge parcialmente do depoimento da filha de 22 anos, que acordou com os gritos de socorro do pai e utilizou uma mangueira no quintal para ajudar a apagar o incêndio.
Após o ocorrido, a própria veterinária prestou socorro e dirigiu com o marido, que permaneceu consciente no trajeto, até o Hospital Cassems, de onde ele foi transferido para o Proncor. Embora o atendimento inicial tenha estimado que 80% do corpo havia sido atingido, avaliações médicas posteriores retificaram o diagnóstico para cerca de 30% de queimaduras, localizadas principalmente no tronco e nos membros superiores. Apesar da redução no percentual, a vÃtima continua internada na UTI em estado grave e entubada.
Por fim, as investigações apontaram que Lidiane realiza tratamento psiquiátrico de longa data para depressão, ansiedade generalizada e sÃndrome do pânico, e ela própria admitiu estar sem a medicação recomendada há cerca de duas ou três semanas. No interrogatório, ela reiterou que não tinha a intenção de matar ou ferir o companheiro, mas sim de fazê-lo "abrir o jogo" pelo medo. Contudo, diante dos elementos colhidos, a PolÃcia Civil manteve a acusação de tentativa de homicÃdio e solicitou a conversão da prisão em preventiva, enquanto o caso segue sob apuração.
- Redação





