Policial

Terceiro suspeito de matar PM é executado em emboscada ao BOPE na BR-262

Ataque armado a comboio policial resulta na morte de suspeito de envolvimento no assassinato de PM, em meio a violenta guerra entre facções na fronteira.
- Imagem Divulgação de Rubens Zilio Neto

A violenta disputa entre as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na região de fronteira resultou na morte de um policial e, mais recentemente, no assassinato de um terceiro suspeito central no caso. Este homem, apontado como integrante do PCC, foi executado em um ousado ataque armado contra um comboio do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) neste sábado (4), no distrito de Albuquerque, em Corumbá. Ele estava sendo transportado em uma operação com quatro viaturas com destino a Campo Grande quando os policiais precisaram parar em um posto de combustíveis às margens da BR-262 para trocar o pneu de um dos veículos. Naquele momento, supostos membros do CV iniciaram um ataque com tiros de fuzil disparados de uma área de mata. O preso foi atingido e morreu no local. Investigações apontam que a cabeça do suspeito estava avaliada em um prêmio que variava entre R$ 200 mil e R$ 2 milhões de reais, o que motivou a emboscada. Após o atentado, o Bope iniciou buscas na região e recebeu o reforço de outras equipes policiais.

O estopim de toda a situação ocorreu na terça-feira (30), quando três criminosos a bordo de um Fiat Argo foram até uma residência em Ladário com o objetivo de executar um integrante do CV conhecido como “Coelho”. O alvo conseguiu escapar dos disparos e o trio fugiu, mobilizando as forças de segurança. Durante as diligências em Corumbá, na Rua Totico de Medeiro, a equipe policial tentou abordar os atiradores, momento em que o policial militar Marcelo Pimenta foi atingido por um tiro de fuzil e não resistiu. Após o crime, os suspeitos tentaram fugir em direção à fronteira com a Bolívia, o que levou a polícia brasileira a acionar as autoridades bolivianas, que localizaram dois dos envolvidos: Rubens Zílio Neto, vulgo “Apolo”, que atualmente está preso, e Ewerton.

Após ser capturado, Ewerton confessou a participação no assassinato do policial e revelou detalhes sobre a estrutura da facção. Ele e Rubens integravam o PCC, onde Ewerton exercia as funções de “disciplina” e “paiol” (armazenamento de armas), enquanto Rubens atuava como “missionário”. De acordo com as investigações, Rubens e outro cúmplice haviam escondido um saco nos fundos da casa de Ewerton e ateado fogo em materiais para apagar vestígios antes de fugirem. No local, a polícia apreendeu um verdadeiro arsenal bélico e aparato tático, incluindo dois fuzis, um revólver, duas pistolas, farta munição, radiocomunicadores, fone de comunicação, distintivos policiais e porções de maconha. Além disso, no local onde o Fiat Argo foi abandonado, os agentes encontraram máscaras, luvas, bonés, bandoleira e roupas de guerrilha.

O desfecho de Ewerton ocorreu quando ele guiava os policiais até a rodovia Ramon Gomes para indicar onde o restante do armamento estava escondido. Durante a ação, o criminoso se alterou, partiu para cima de um dos policiais e tentou tomar sua arma. O militar conseguiu se esquivar e deu ordem de parada, mas diante de uma nova investida do suspeito, reagiu e o alvejou. Ewerton foi socorrido e levado à Santa Casa de Corumbá, mas faleceu. O histórico do criminoso já acumulava passagens por roubo majorado e tentativa de roubo em prisões ocorridas em 2021 e 2022. Logo após a morte do policial militar no início da semana, vídeos de criminosos ostentando um fuzil calibre 5.56 em tom de ameaça passaram a circular na internet, mas o comandante-geral da PMMS esclareceu que se tratam de gravações antigas replicadas de forma oportuna para gerar pânico.

- Redação