A Justiça decretou a prisão preventiva do ex-deputado estadual Neno Razuk (PL) no âmbito do processo derivado da Operação Sucessione, na qual ele é acusado de chefiar o jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. A decisão judicial ocorre logo após a perda de seu mandato parlamentar, oficializada em 21 de maio. Na última terça-feira (7), equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) realizaram diligências na residência de Razuk, mas ele não foi localizado. O pai do ex-parlamentar, Roberto Razuk, que cumpre prisão domiciliar, encontra-se com a saúde debilitada e internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os irmãos de Neno, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, bem como o advogado Rhiad Abdulahad, já estão detidos sob a acusação de integrarem a cúpula da organização criminosa. Procurado pela reportagem, o advogado de defesa Roberto Razuk Neto confirmou a presença dos agentes do Gaeco na residência de Neno, mas afirmou ainda não ter conhecimento formal do mandado de prisão, ressaltando que a manifestação da defesa ocorrerá apenas após o acesso aos autos.
O ex-deputado já havia sido condenado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), em dezembro do ano passado, a uma pena superior a 15 anos de prisão pelos crimes de formação de organização criminosa armada, roubos e exploração de jogos de azar. Na ocasião, o magistrado responsável destacou que as condutas criminosas não possuÃam qualquer relação com o exercÃcio das funções constitucionais de um deputado estadual; Neno Razuk recorreu da sentença. A denúncia formalizada pelo Ministério Público Estadual (MPMS), por meio do Gaeco, abrange um total de 20 pessoas e foca na atuação do clã Razuk. A Promotoria aponta que o grupo utilizava corrupção, lavagem de dinheiro e táticas violentas para assegurar o monopólio da contravenção e requer o pagamento de R$ 36 milhões como reparação por danos, com base na Lei de Lavagem de Dinheiro.
As investigações revelam que a investida do grupo familiar teve inÃcio após o desmantelamento da estrutura criminosa outrora liderada pela famÃlia Name, alvo da Operação Omertà . Com o vácuo de poder na contravenção de Campo Grande, uma facção rival assumiu temporariamente o controle da capital, chegando a negociar financeiramente com concorrentes para evitar novas instalações. Foi nesse cenário que a organização comandada pelos Razuk iniciou uma ofensiva agressiva e armada para dominar o mercado de apostas ilegais em Campo Grande, Dourados e regiões estratégicas do interior. O Gaeco detalha que o grupo agia com extrema violência para enfraquecer a concorrência e tomar os pontos de aposta à força.
O estopim para o aprofundamento das investigações policiais ocorreu após três assaltos armados a malotes de arrecadação do grupo rival, ocorridos em plena luz do dia em 16 de outubro de 2023, supostamente orquestrados por Neno Razuk. A execução dessas ações contou com a participação de policiais militares, incluindo um sargento da reserva e um major aposentado. Armados com pistolas, os agentes públicos intimidavam e ameaçavam os apontadores do jogo do bicho para que mudassem de lado, deixando recados em nome do novo interessado em controlar a atividade na capital. Os desdobramentos dessas ações levaram à apreensão de máquinas de apostas e de uma pistola em uma residência, cuja investigação técnica e análise do material apreendido ficaram sob a responsabilidade do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco).
- Redação





