Investigados no âmbito da Operação Gutenberg que apura um desvio de mais de R$ 27 milhões dos cofres públicos, Ed Carlo Britto Burgatt e Gabriel Taquino de Paula planejaram comemorar o sucesso de suas ações em uma famosa casa noturna de Campo Grande. Mensagens interceptadas pela polícia revelam que a dupla combinou de celebrar a conquista logo após receber R$ 50 mil originados de contas da Editora Avante, empresa que estava no centro do esquema de corrupção.
O relatório da investigação detalha o caminho percorrido pelo dinheiro no dia 2 de agosto de 2022. Naquela data, a Prefeitura de Miranda, utilizando recursos do Fundo Municipal de Educação, realizou dois repasses para a Editora Avante nos valores de R$ 241.150,00 e R$ 803.205,00, superando a marca de R$ 1 milhão enviado à empresa. No mesmo dia, Jessyca Duarte Burgatt, filha de Ed Carlo, recebeu duas transferências da editora que totalizaram R$ 52 mil e, em seguida, enviou R$ 50 mil para o pai através de um Pix.
Essa movimentação financeira coincide com as conversas registradas naquela noite entre Ed Carlo e Gabriel. Antes mesmo de os valores serem confirmados, Ed Carlo já comentava que iria beber para comemorar, alegando que merecia o descanso após o esforço para obter o dinheiro. Em seguida, ele enviou uma mensagem dizendo que iria se banhar e partir para a casa de shows Valley. Gabriel respondeu demonstrando grande satisfação, afirmando ser "gostoso ganhar R$ 50 mil assim", ao que Ed Carlo completou dizendo que "quem falar que não gosta tem que ser crucificado".
A investigação aponta que a atuação de Ed Carlo e Gabriel consistia em intermediar a venda de materiais da Editora Avante para prefeituras de Mato Grosso do Sul com o objetivo de obter vantagens financeiras ilícitas. Para garantir que esses contratos fossem fechados de maneira direta, sem a necessidade de licitação, os investigados utilizavam a influência política para oferecer vagas em hospitais e transferências de pacientes como moeda de troca com os gestores públicos locais.
- Redação





