Deflagrada na manhã desta quinta-feira (6) pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Gaeco, a Operação Máquinas de Areia investiga um esquema de fraudes estimado em mais de R$ 100 milhões envolvendo contratos de locação de maquinário e obras de revestimento primário, conhecido como cascalhamento, direcionados à Prefeitura de Três Lagoas. Para a execução das ordens judiciais, as equipes cumpriram 19 mandados de busca e apreensão distribuÃdos entre Três Lagoas, Campo Grande, Terenos e o municÃpio paulista de Castilho, que faz divisa com a cidade sul-mato-grossense.
Segundo esclarecimentos formalizados em nota pelo Ministério Público, os levantamentos apontam a atuação de uma organização criminosa integrada tanto por agentes públicos quanto por empresários do setor. O esquema consistia na realização de pagamentos públicos desproporcionais ou sem a devida contrapartida de serviços prestados, manobra voltada ao desvio de verbas públicas, ao enriquecimento ilÃcito dos envolvidos e a perdas significativas para a coletividade. Os delitos sob apuração englobam corrupção, peculato e lavagem de dinheiro, enquanto a administração municipal de Três Lagoas declarou por meio de sua assessoria que ainda aguarda apurar dados concretos para se manifestar oficialmente.
Esta nova ofensiva policial constitui um desdobramento da Operação Cascalhos de Areia, investigação que analisou acordos firmados por companhias associadas ao empreiteiro André Luiz dos Santos, amplamente conhecido como Patrola. De acordo com o inquérito, Patrola atuaria como sócio oculto de múltiplos empreendimentos detentores de contratos de cifras milionárias com o poder público municipal tres-lagoense, a exemplo da empresa MS Brasil Comércio e Serviços Eireli. Os desdobramentos iniciais do caso indicam a estruturação de um complexo esquema de ocultação patrimonial utilizando familiares como testas de ferro para mascarar os verdadeiros beneficiários dos desvios.
Na fase inaugural da Operação Cascalhos de Areia, o empreiteiro e servidores públicos já haviam sido formalmente denunciados por práticas ilÃcitas como fraude licitatória, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro. As apurações apontam que o empresário gerenciava diversas firmas em nome de laranjas para abocanhar contratos públicos de difÃcil fiscalização, tendo herdado o apelido que carrega justamente pelo hábito de empregar uma motoniveladora para simular e encobrir os serviços nas medições oficiais assinadas por fiscais. Até o fechamento desta reportagem, a defesa de André Luiz dos Santos não havia retornado aos contatos feitos pela equipe de reportagem, mantendo o espaço aberto para eventuais esclarecimentos.
- Redação





