O hospital Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande está sob a gestão do presidente interino Heitor Scheibeler, que assumiu o comando da maior unidade hospitalar de Mato Grosso do Sul. A mudança ocorreu após a prisão da então presidente, Alir Terra, e de dois diretores do complexo de saúde. Scheibeler, que exercia a vice-presidência, permanecerá à frente da administração enquanto a titular estiver impedida. As demais vacâncias foram preenchidas por funcionários de carreira das respectivas áreas: Lucas Jeferson Santos da Silva assumiu interinamente a diretoria administrativa no lugar de Alessandro Junqueira, enquanto Terezinha Mafort de Castro Lopes foi indicada para a diretoria financeira adjunta, antes ocupada por Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa. Os investigados passaram por audiência de custódia e continuam detidos, cabendo agora às defesas apresentarem recursos para requerer a soltura.
A reestruturação interna é reflexo da Operação Antidotum, deflagrada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul por meio do Gecoc e do Gaeco. A ação apura um esquema de fraude e desvio de verbas em contratos da Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande (ABCG). Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Dourados e Goiânia. Entre os alvos da operação estão a presidente Alir Terra Lima, os diretores Paulo Guilherme, Alessandro Dias Junqueira e Rinaldo Hakme Romano, a coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico Monique Gregório de Oliveira, além do empresário MaurÃcio Aparecido Benites. O nome da operação, derivado do latim para "antÃdoto", faz alusão a uma medida de neutralização de atos nocivos na instituição.
As investigações do Ministério Público apontam graves irregularidades no contrato para digitalização de prontuários, orçado em R$ 5,4 milhões por três anos. Nesse acordo, valores expressivos foram pagos sem a efetiva entrega dos serviços, gerando um prejuÃzo estimado em R$ 1,4 milhão apenas no primeiro ano. Paralelamente, foram identificadas ilicitudes nos contratos do plano Santa Casa Saúde com empresas vinculadas a um mesmo proprietário ligado à diretoria. Essas companhias figuravam no mesmo endereço, mas o imóvel estava desocupado. Apenas em 2025, tais repasses somaram R$ 9,6 milhões, deixando um dano apurado de pelo menos R$ 3,5 milhões. O montante total das perdas segue sob apuração, agravado pela sonegação sistemática de documentos e prestações de contas ao Conselho Fiscal da instituição e à Controladoria-Geral do Estado. A operação contou com o apoio do Batalhão de Choque da PolÃcia Militar e acompanhamento da OAB-MS.
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