Policial

Operação Perfume de Mulher mira esquema bilionário de importação clandestina de perfumes árabes

A ação conjunta é conduzida pelo Ministério Público Federal, pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul e pela Receita Federal, com o apoio do Gaeco.
- Imagem Divulgação (Receita Federal)

Deflagrada nesta terça-feira, a Operação Perfume de Mulher mira uma suposta rede criminosa especializada na importação clandestina de fragrâncias vindas do Paraguai. A ação conjunta é conduzida pelo Ministério Público Federal, pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul e pela Receita Federal, com o apoio do Gaeco. Logo nas primeiras horas do dia, equipes mobilizaram-se para cumprir 16 mandados de busca e apreensão e uma ordem de prisão distribuídos por Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco, além de executarem o bloqueio e a apreensão de cerca de R$ 100 milhões em bens e valores.

O esquema veio à tona após uma série de mais de 20 apreensões realizadas entre 2024 e 2026, período em que os investigadores mapearam a atuação do grupo. Um dos golpes mais expressivos ocorreu em outubro passado, quando autoridades interceptaram aproximadamente R$ 10 milhões em produtos de contrabando. Apurações apontam que os itens, com destaque para a linha de perfumaria árabe, cruzavam a fronteira de forma ilegal por Ponta Porã, no Paraguai, sendo inicialmente armazenados em Campo Grande antes de serem remetidos a novos centros logísticos em São Paulo e Pernambuco.

A comercialização dos produtos ocorria em âmbito nacional, impulsionada principalmente por marketplaces, redes sociais e e-commerce, contando inclusive com a participação de influenciadores digitais para alavancar as vendas e promover a marca, que se autointitulava a principal referência no segmento de perfumes árabes no país. Para mascarar a ilicitude do negócio e dar verniz legal às transações, o esquema recorria a notas fiscais fraudulentas, uso de múltiplas pessoas jurídicas, empresas de fachada, testas-de-ferro e forte ocultação patrimonial.

O avanço das apurações também revelou indícios contundentes de lavagem de dinheiro, evidenciados por movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica formal dos suspeitos e pelo uso de criptomoedas em pagamentos a fornecedores estrangeiros. Ao todo, o volume financeiro movimentado nas contas ligadas aos investigados ultrapassou a marca de R$ 300 milhões, refletindo a dimensão da estrutura montada pela organização.

- Redação