A deflagração da segunda fase da Operação Dirty Pix expôs novos desdobramentos de um esquema de corrupção que vem abalando o município de Sidrolândia, localizado a 71 km de Campo Grande. Conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), ao lado da 3ª Promotoria de Justiça local e do Gaeco, a ação investiga a chamada "Máfia do Pix", que desviou milhões em verbas públicas. O impacto político foi imediato: o prefeito Rodrigo Basso (PL) oficializou nesta quinta-feira (8) o afastamento por 180 dias de dois secretários municipais Enelvo Iradi Felini Junior, do Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente, e Cleyton Martins Teixeira, da Agricultura e Abastecimento, assumindo temporariamente a ordenação de despesas e a gestão administrativa das duas pastas. No mesmo ato, o chefe do Executivo exonerou o assessor comissionado José Ademir Gabardo, vinculado à Secretaria de Governo e Desburocratização.
A varredura atingiu também o Poder Legislativo e a estrutura hospitalar da cidade. Por determinação judicial, três parlamentares do total de 13 cadeiras da Câmara Municipal foram suspensos por seis meses: Adavilton Brandão (MDB), Cledinaldo Cotócio (PSDB) e Izaqueu de Souza Diniz, conhecido como Gabriel Autocar (PSD). Para ocupar as vagas temporariamente abertas, deverão ser convocados os suplentes Maria Tereza Fiúza Ferreira (Maria Fiúza), Itamar de Souza Silva e Claésio Lechner de Albuquerque, respeitando o resultado das eleições de 2024. Em paralelo, a ofensiva policial deflagrada na quarta-feira (7) cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em Sidrolândia, Campo Grande, Maracaju e Selvíria, resultando na prisão de três alvos: o presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, Jacob Meeuvis Breure; a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho; e o assessor político Júlio César Alves da Silva.
As investigações do Ministério Público tiveram início com a apuração do desvio de recursos estaduais destinados à compra de equipamentos essenciais para o hospital do município, como uma autoclave e um aparelho de ressonância magnética. No entanto, após a primeira etapa da operação, realizada em novembro de 2025, os investigadores descobriram que a fraude se estendia a diversos outros convênios celebrados pela Sociedade Beneficente responsável pela unidade de saúde. Ao todo, o montante surrupiado supera R$ 18 milhões, afetando verbas que deveriam financiar reformas prediais, leitos de UTI móvel e insumos hospitalares.
O modus operandi da organização criminosa envolvia a criação de planos de trabalho com dados adulterados, superfaturamento e o direcionamento de contratos a empresas previamente alinhadas ao grupo. Assim que o dinheiro público ingressava nas contas do hospital, ele era desviado de sua finalidade original e redistribuído por meio de uma complexa teia de transferências bancárias, alcançando políticos, intermediários e articuladores do esquema. A apuração revelou ainda que a rede usava o poder financeiro acumulado para tentar obstruir o trabalho da Justiça. O próprio nome da operação, "Dirty Pix" (ou "pix sujo"), faz referência direta ao meio utilizado para remunerar a corrupção: desde as investigações iniciais de 2025 quando se identificou o desvio original de R$ 5,4 milhões, propinas que chegaram a R$ 100 mil por repasse eram enviadas diretamente a opositores e agentes públicos, seja via Pix direto ou por intermédio de contas de terceiros.
- Redação





