O ex-deputado estadual de Mato Grosso do Sul, Roberto Razuk, faleceu aos 85 anos no final da manhã desta quinta-feira (15). Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde passou ao menos três vezes pela Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A notícia do falecimento foi confirmada por sua esposa, a ex-prefeita de Dourados Délia Razuk, que informou que o ex-parlamentar vinha recebendo cuidados paliativos e combateu os problemas de saúde até o fim. Em nota divulgada à imprensa, a família comunicou que o corpo será cremado na capital paulista, atendendo a um desejo do próprio Razuk de não realizar velório ou cerimônias fúnebres.
Nascido em Campo Grande, Roberto Razuk exerceu dois mandatos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Ele foi eleito pela primeira vez em 1987 pelo antigo PFL e reeleito em 1991 pelo PDT, tendo participado ativamente da elaboração da Constituição Estadual de 1989. Entre suas principais atuações parlamentares, destacou-se pela articulação para a criação da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e pela fixação de sua sede no município de Dourados.
No campo judiciário, Razuk era réu sob a acusação de liderar o esquema de exploração do jogo do bicho no estado. O patriarca havia sido preso em 25 de novembro de 2025, durante a deflagração da 4ª fase da Operação Successione pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), mas obteve concessão de prisão domiciliar no mesmo dia em razão de seu frágil estado de saúde — no ano anterior, ele já havia sido submetido a duas cirurgias para a retirada de tumores.
Segundo as investigações do Gaeco, Roberto Razuk ocupava o topo da hierarquia do grupo criminoso, detendo a palavra final sobre estratégias de expansão, investimentos e articulações da organização, posicionando-se acima inclusive de seu filho, o deputado estadual Neno Razuk. Para assegurar o domínio da jogatina ilegal em Mato Grosso do Sul, a quadrilha também é investigada pela suposta prática de crimes violentos, como roubos e homicídios. Enquanto Neno é apontado como o líder operacional das atividades, os outros dois filhos do ex-deputado, Jorge e Rafael Razuk, exerciam papéis de alta influência no grupo e permanecem presos ao lado do irmão. Logo após a prisão do pai, no fim do ano passado, a família divulgou nota negando veementemente qualquer envolvimento com ações criminosas ou atos de violência.
- Redação





