As investigações do Ministério Público de Mato Grosso do Sul revelam contornos graves sobre a atuação de Jacob Breure, diretor do Hospital Elmíria Silvério Barbosa, acusado de cooptar uma investigadora da Polícia Civil para adulterar boletins de ocorrência e livrar comparsas de apurações policiais. Alvos de mandados de prisão preventiva expedidos na Operação Dirty PIX no dia 7 de outubro, Jacob e a servidora policial Cristina Rosa Gomes de Carvalho tiveram suas custódias justificadas pelo MPMS sob a premissa de ameaça real à instrução criminal. O órgão ministerial apontou que o gestor já havia interferido diretamente no trabalho da Polícia Judiciária para beneficiar integrantes do seu círculo empresarial.
Segundo as provas anexadas ao processo, a investigadora já afastada de suas funções públicas enviava fotos de boletins de ocorrência ao diretor e prometia realizar "correções" nos depoimentos tomados de suspeitos detidos. Em um dos casos citados nas mensagens, o aliado do diretor, Renato André Maihack, foi preso por disparar uma espingarda em via pública. Na ocasião, Jacob intercedeu junto à policial após pedido da esposa do custodiado, acertando a alteração da tipificação do crime enviada pela Polícia Militar e a redução do valor da fiança, valor este repassado via PIX pelo próprio dirigente hospitalar. Trechos da apuração mostram a policial orientando as alterações nos depoimentos e questionando a atuação da Polícia Militar na prisão.
Para o Ministério Público, a conduta de Jacob fundamenta a extrema necessidade de sua manutenção na prisão. A promotoria argumenta que, caso o dirigente fosse capaz de articular sua influência para fraudar investigações terceiras, o perigo de obstrução da Justiça torna-se exponencialmente mais elevado agora que ele é o principal investigado por crimes no hospital. O canal para posicionamento de todos os citados permanece aberto.
A Operação Dirty PIX, que investiga um esquema abrangente de fraude e corrupção com recursos públicos, deflagrou sua segunda fase cumprindo três mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria, além de determinar o afastamento temporário de vereadores mantidos pelo grupo. Originado a partir de suspeitas na aquisição de equipamentos como um aparelho de ressonância magnética e uma autoclave para o hospital de Sidrolândia, o inquérito revelou rombos em convênios que superam R$ 18 milhões. As irregularidades englobam desde a compra de UTI móvel até reformas físicas na unidade, com planos de trabalho falsificados, direcionamento de contratos e superfaturamento para irrigar repasses a políticos e intermediários.
- Redação





