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Chuva de 143 mm bate recorde histórico de outubro em Campo Grande e causa alagamentos por toda a cidade

Campo Grande registrou um volume pluviométrico histórico nesta quinta-feira (15), com o acúmulo de 143 mm de chuva em um único dia.
- Foto Divulgação (Itamar Buzzatta)

Campo Grande registrou um volume pluviométrico histórico nesta quinta-feira (15), com o acúmulo de 143 mm de chuva em um único dia. De acordo com o meteorologista Natálio Abrão, trata-se do maior acumulado diário já visto no mês de outubro em toda a série histórica da Capital. O volume foi tão expressivo que representou cerca de 95% do total esperado para todo o mês, cuja média histórica é de 150,6 mm segundo o Cemtec. Para efeito de comparação, a precipitação desta quinta ultrapassou o total mensal registrado em todo o mês de outubro dos últimos quatro anos (2022 a 2025).

Sob forte influência do fenômeno El Niño e com início por volta das 11h30 com queda de granizo, as tempestades provocaram severos alagamentos por toda a cidade, estendendo-se até o fim da tarde. A medição mais alta ocorreu na estação da Uniderp, no bairro Carandá Bosque, enquanto a estação do Inmet no Jardim Panamá registrou 86,6 mm e a região central atingiu 73,2 mm. Com o solo completamente saturado, pontos críticos e cartões-postais da cidade foram duramente afetados: o Lago do Amor e o lago do Parque das Nações Indígenas transbordaram, interditando vias importantes como a Avenida Senador Filinto Müller e trechos da Avenida Nelly Martins.

Os transtornos se espalharam por diversos bairros da Capital e pelo interior do estado, onde tempestades e inundações já causavam estragos desde o começo da semana, deixando cerca de 70 famílias ilhadas ou desalojadas em áreas vulneráveis. No Jardim Los Angeles, enxurradas fortes derrubaram motociclistas e dificultaram o trânsito em diversas vias. Já na parte baixa da Avenida Rádio Maia, na Vila Popular, o fechamento de comportas de um frigorífico represou o Córrego Imbirussu, fazendo com que a água invadisse mais de seis residências. A Avenida Guaicurus, no acesso ao Jardim Centro Oeste, também voltou a ficar alagada.

As chuvas intensas e atípicas estão ligadas ao El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando os padrões de ventos e clima globalmente. Em Mato Grosso do Sul, o impacto do fenômeno oscila conforme o ano: nas últimas 15 ocorrências registrados nos últimos 24 anos, a maioria apresentou volumes de chuva e temperaturas acima da média. A intensidade varia desde episódios como o de 2024 (classificado como forte, mas com menor acumulado) até eventos como o de 2016 (muito forte e extremamente chuvoso).

A previsão indica que o tempo continuará instável nesta sexta-feira (16) em Mato Grosso do Sul, com céu nublado e chuva devido ao avanço de uma frente fria associada a um ciclone extratropical no Oceano Atlântico. O risco de novos alagamentos permanece elevado, especialmente no norte, nordeste e leste do estado, onde são esperadas tempestades mais severas acompanhadas de raios e rajadas de vento. Já no sul e sudoeste, as precipitações devem ser mais fracas, com possibilidade de nevoeiro. Os ventos no estado podem ultrapassar os 50 km/h pontualmente.

- Redação