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Noticia de: 14 de Agosto de 2019 - 11:33
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MST quer dobrar número de famílias acampadas em Mato Grosso do Sul

Movimento também articula ampliação do número de acampamentos no Estado

- Foto Divulgação

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) planeja dobrar o número de acampados em Mato Grosso do Sul ainda este ano. O grupo tem atualmente cerca de 900 famílias, distribuídas em nove acampamentos no Estado, mas prepara ações para que este número alcance 1,8 mil famílias. A informação é de um dos coordenadores do movimento em MS, Ronildo Lopes de Lima.

A reportagem, Lima explicou que o movimento tem sido procurado por famílias em situação de pobreza e por isso planeja ocupações em, pelo menos, duas cidades do Estado. “Nós já tivemos 7 mil famílias, agora, o MST foi procurado porque existem várias famílias na extrema pobreza, que não conseguem pagar aluguel, não têm onde morar. Então, realmente existem as famílias que estão se organizando para vir para o MST. Mas não existe possibilidade de invadir terra. Ninguém está falando que vai ocupar fazenda dos outros”, diz.

Questionado sobre os locais onde devem ser instalados os acampamentos, já que o grupo não planeja invasões, Ronildo explicou que “é uma situação que a realidade vai apontar”. “Agora, a gente precisa achar um terreno para colocar essas famílias, seja a beira das rodovias, seja onde for. Existe essa articulação porque muita gente está sem condições de pagar aluguel, não só no município de Caarapó, mas em toda a região sul do Estado. Tem muitas famílias que estão procurando nós do movimento. Não estamos querendo colocar as famílias em conflito com ninguém, mas não vamos abandonar a luta pela reforma agrária”, explicou.

MEGAINVASÃO 

O integrante do MST cita o município de Caarapó, pois, na semana passada, a reportagem revelou plano do movimento para montar um mega-acampamento no município, situação que veio à tona por meio de áudios compartilhados em um aplicativo de mensagens. 

Conforme apurado pelo jornal, um grupo teria sido criado no aplicativo, para que os interessados pudessem trocar informações. Em um dos áudios obtidos pela reportagem, o administrador afirma que criou o grupo para que a invasão fosse organizada. “Pessoal, esse grupo foi criado para que nós possamos nos organizar para criar um assentamento rural em Caarapó, com objetivo de acomodar pessoas que tem interesse só em ter um pedacinho de terra para plantar e ter o sustento da sua casa. Eu coloquei várias pessoas, mas se as pessoas que eu adicionei não tiver interesse fiquem a vontade para poder sair [sic]”, afirma.

O plano deixou fazendeiros da região em alerta e a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) monitora a questão, que já foi motivo de conflitos no passado, mas Lima garante que o movimento não pretende promover enfrentamentos. “Estamos tomando todos os cuidados para não fazer nenhum tipo de conflito, porque a gente sabe da atual conjuntura e não quer colocar ninguém em risco, mas quer continuar a luta pela reforma agrária. Houve um imbróglio, com informações distorcidas. Não tem vínculo com nada eleitoreiro. O que a gente está pensando muito é em atender essas famílias”, afirma.

Conforme o coordenador, o MST tem acampamentos em Itaquiraí, Japorã, Nova Andradina, Sidrolândia, Dois Irmãos do Buriti e Dourados. O plano que está em articulação por parte dos integrantes do movimento é para que sejam instalados mais dois acampamentos, sendo um em Caarapó e outro em Nova Alvorada do Sul. 

-CE

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